Arrisque-se (nem que seja cortando o cabelo com alguém que nao fala o seu idioma)

Semana passada, mais precisamente na quarta-feira, eu fui acometida por uma vontade incontrolável de cortar o cabelo. Eu trabalho fora de Barcelona, entao pactei comigo mesma que quando chegasse ia procurar um salao aberto. Detalhe: eram 8 horas e 30 minutos da noite. Passei na frente de uma “peluquería” de chineses perto da minha casa. Estavam ocupados. Entao lá fui eu fazer outro pacto comigo mesma: dá a volta na quadra e, se ao voltar, estiverem livres, tu entra!

Dei a volta na quadra, poderia dizer escutando música, mas estava sem bateria no celular. Quando passei na frente outra vez, cumpri minha parte no trato: entrei. Era um cabelereiro chinês. Pedi se ele tinha horário. Nesse momento eu percebi que ele nao falava espanhol. Malz. Mas aí já era tarde. Ele fez sinal para eu sentar pra ele lavar o cabelo. Eu caminhei até uma poltrona para deixar a jaqueta, manta, duas bolsas, e ele comecou a fazer que nao era para sentar la, que era para ir na outra cadeira (onde tinha o lavatório de cabelo). Malz 2.

Eu pensava: nao te preocupa, teu cabelo está bem comprido. Em caso de estrago teremos uma soluçao. A etapa de lavar o cabelo nao teve muito mistério. Mas quando eu sentei na outra cadeira, ele colocou a capa, eu tirei os meus óculos (sim, justo nesse dia eu nao estava de lentes) e vi que ele comecou a SECAR o meu cabelo eu pensei: eu nao sei se ele sabe o que está fazendo. Já nao tinha volta. Ali fiquei, começando a rir por dentro.

Avistei um vulto (eu tenho 4,5 graus de miopia em cada olho, mais 1 de astigmatismo no direito), que era um mulher fazendo a unha, que nao tirava os olhos do meu espetacular corte de cabelo. Entao chegou o momento de explicar como eu queria o corte: “acho que uns 5 cm centímetros tira as pontas secas todas, né?”. A resposta foi: “assim, ‘tleis’ dedos?” Concordei. Aí ele disse “em v” e aí eu já pensei que era melhor nao falar nada mais.

Eu via os cabelos caindo no chao. E de vez em quando ele colocava o espelho atrás para eu ver (mas nao esperava eu colocar o óculos, o que era igual a nada). E eu seguia firme ali. Apavorada estava a mulher da unha. Eu estava era alegre rindo por dentro e pensando que eu ia com uns cabelos cortados (nao importava como) a Dublin no fim de semana ( afinal eu sempre quis tanto ir pra Dublin que as pontas dos cabelos nao poderiam aparecer descuidadas nas fotos). Quando eu vi que o chinês se ajoelhou para acabar o corte em v e as pontinhas, eu entendi que dedicado e esforçado ele era. Fiquei feliz por ter dado um crédito a ele.

Depois de passar a chapinha no meu cabelo, me deixar colocar os óculos e mostrar com o outro espelho, se haviam passado uns 20 minutos que eu estava ali. Eu sorri pra ele. A manicure já estava limpando e eles queriam mais era irem para sua casa. Peguei minhas coisas, paguei e fui para casa feliz com o meu cabelo novo, ótima relaçao custo benefício e com outra aventura radical para contar. Resultado satisfatório.

Talvez você me pergunte: e as fotos de Dublin? Bom, como fazia frio, eu usei uma toca branca/bege com um pompom e nas fotos que apareço sem ela o cabelo está um pouco seboso pelo roçar da toca. Mas eu estava feliz.

Fim da estória.


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